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MonitoR7 Base na Antártida teve surto de Covid mesmo com todos vacinados?

Base na Antártida teve surto de Covid mesmo com todos vacinados?

Pesquisadores polares estão morando em um dos lugares mais remotos do mundo

  • MonitoR7 | Do R7

Antártica ou Antártida, o menor continente do planeta e sede de várias estações de pesquisa científica

Antártica ou Antártida, o menor continente do planeta e sede de várias estações de pesquisa científica

Freepik

Uma notícia está circulando em grupos de mensagens sobre um surto de Covid-19 numa base de pesquisa científica na Antártida. Um dos detalhes que mais vêm recebendo destaque nas mensagens que circulam com essa notícia é que todos os trabalhadores da base estariam totalmente vacinados e situados em uma das regiões mais remotas do mundo.

A informação é verdadeira. O caso aconteceu na Estação Polar Princesa Elisabeth, da Bélgica. Desde 14 de dezembro, pelo menos 16 dos 25 trabalhadores da estação contraíram o vírus, de acordo com o jornal belga Le Soir.

De fato, todos os funcionários estavam totalmente vacinados. Um deles, inclusive, já tinha recebido uma dose de reforço. E, além disso, os administradores da estação adotaram medidas rígidas para evitar que o vírus atingisse esse grupo isolado de pessoas. 

Os pesquisadores que partiam para a estação deveriam estar vacinados e submetidos a um exame médico antes da partida. Cada um teve que passar por um teste de PCR na Bélgica, duas horas antes de partir para a África do Sul. Em seguida, um novo teste de PCR, cinco dias depois de chegar à Cidade do Cabo. Além disso, eles tinham que cumprir dez dias de quarentena. Outro teste era realizado na partida da Cidade do Cabo para a Antártida e mais outro teste de PCR cinco dias após a chegada à estação.

Nesse último teste é que se detectou que um integrante do grupo estava infectado. A pessoa infectada foi imediatamente colocada em isolamento, mas, apesar disso, os testes feitos nos outros viajantes revelaram que dois deles também contraíram o vírus. As três primeiras pessoas envolvidas foram retiradas do local em 23 de dezembro. Mas, desde então, o vírus ainda conseguiu circular na estação.

Ainda não foi confirmado que as infecções se deram pela nova variante, a Ômicron. Porém, segundo um virologista consultado pela Secretaria Polar da Bélgica, é alta a probabilidade de a nova cepa ser responsável pela contaminação, já que esta representa 99% dos casos na África do Sul, justamente o país da última escala antes da Antártida.

A situação levou a International Polar Foundation, organização que administra as estações, a proibir qualquer nova chegada à estação belga, até que o surto termine. Já o Secretariado Polar decidiu que a temporada de pesquisas locais será encurtada.

Apesar de tudo, nenhum dos trabalhadores apresentou sintomas graves. Também foi dada aos trabalhadores a opção de retornar em um voo programado para 12 de janeiro. No entanto, todos manifestaram o desejo de ficar e continuar as pesquisas.

Segundo Marcelo Daher, médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, o caso mostra que não se pode ter uma confiança cega nos testes pré-embarque. Ele lembra que o teste pode ser feito num momento em que a pessoa infectada já teve contato com o vírus, mas esse vírus ainda não se reproduziu o suficiente para ser detectado pelo teste.

Em relação à transmissão, o infectologista destaca que ela só ocorreu porque, apesar de todos os cuidados e todas as vacinas, um paciente infectado chegou a esse local isolado e trouxe o vírus. Quase certamente um vírus da variante Ômicron, que os primeiros estudos indicam ser menos agressiva, mas com potencial de transmissão maior que o das demais variantes.

Não é a primeira vez que estações de pesquisa na Antártida são afetadas por um surto de coronavírus. No ano passado, vários militares chilenos baseados na estação de pesquisa Bernardo O'Higgins foram infectados depois que os marinheiros de um navio de abastecimento testaram positivo para o vírus.

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Reprodução/ Arte R7

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