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MonitoR7 China comprou testes de Covid-19 antes de a pandemia ser anunciada?

China comprou testes de Covid-19 antes de a pandemia ser anunciada?

Gastos com testes que identificam a Covid-19 no corpo humano quase dobraram na Província de Hubei, primeiro epicentro da pandemia na China

  • MonitoR7 | Do R7

Médico aplica teste PCR em estudante chinês em Hubei, na China, primeiro epicentro da pandemia da Covid-19

Médico aplica teste PCR em estudante chinês em Hubei, na China, primeiro epicentro da pandemia da Covid-19

China Daily via Reuters

Circulam em grupos do Telegram links para sites que noticiam que a China aumentou a compra de testes de detecção da Covid-19 já em 2019, meses antes de os primeiros casos da doença serem divulgados.

A denúncia foi feita pelo site australiano de segurança virtual Internet 2.0, que disponibilizou no início deste mês um documento de 24 páginas, indicando que o valor gasto na compra de testes PCR pulou de 36,7 milhões de yuan (moeda chinesa) em 2018 para 67,4 milhões em 2019, na província de Hubei, local do primeiro epicentro da Covid-19 no país asiático.

“Nós acreditamos que o aumento expressivo (de testes) em maio (de 2019) sugere que essa é a data inicial para as possíveis infecções”, é dito nos resultados da pesquisa. No entanto, apesar das revelações, é ressaltado no texto que as descobertas trazem "mais perguntas do que respostas" acerca da origem do vírus.

O teste PCR, reação em cadeia da polimerase, é uma técnica que permite realizar “cópias” de segmentos do DNA e ganhou enorme notoriedade por ser indicado pelas autoridades sanitárias para identificar casos positivos de Covid-19 em pacientes, mas não é de uso exclusivo para essa doença e já é usado há décadas no universo da medicina.

Entre os maiores compradores desses testes estão uma universidade de ciência e tecnologia em Wuhan, um centro de controle e prevenção de doenças de Hubei, além de um instituto de veterinária.

Até o momento, ainda há dúvidas sobre a origem do novo coronavírus (Sars-Cov-2). Entre as hipóteses investigadas estão a ingestão de morcegos que hospedavam o vírus, vendidos em um mercado de rua; e o possível acidente em um laboratório, com vazamento do vírus. O mercado e o laboratório ficam na cidade de Wuhan.

Na conclusão do estudo é dito que esse aumento repentino na compra de testes PCR “está muito provavelmente ligado” à emergência sanitária causada pela Covid-19 e ali se assegura, com "alta confiabilidade", que a pandemia se iniciou muito antes do que a China informou à Organização Mundial de Saúde (OMS). O Ministério das Relações Exteriores da China contestou as descobertas e catalogou essa denúncia como uma alegação duvidosa sobre o vírus.

O médico Amesh Adja, que atua na área de Segurança de Saúde da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, questionado sobre a situação do aumento na compra de testes na China, declarou que a situação não era surpreendente, pois, em geral, as compras dos "kits" de PCR aumentaram antes mesmo da pandemia, pois ele se tornou "a metodologia de escolha para detecção de patógenos".

Autoridades médicas, corroborando a opinião de Adja, afirmaram ainda que as descobertas não eram suficientes para chegar a uma correlação de que o aumento da compra de testes tenha a ver com um início não reportado da epidemia. Dois eventos poderiam explicar o aumento no número de testes comprados: os Jogos Militares em Wuhan, em outubro de 2019, com atletas de 110 países; e casos de peste suína africana (ASF) registrados ao redor da China.

Portanto, é fato que na província chinesa houve um aumento repentino na compra de testes usados posteriormente para realizar diagnósticos de Covid-19. No entanto, a manchete engana ao associar esse aumento à pandemia, sem informar que o fato pode ter outras explicações. Como o próprio estudo diz, não é possível afirmar com veemência que o governo chinês "escondeu" o início da pandemia ou que essa compra tenha a ver com casos não registrados.

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Apesar de ser fato que houve aumento na compra do PCR em 2019, não há como comprovar sua relação direta com a pandemia

Apesar de ser fato que houve aumento na compra do PCR em 2019, não há como comprovar sua relação direta com a pandemia

Reprodução/ Arte R7

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