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MonitoR7 China testou coronavírus como arma biológica antes da pandemia?

China testou coronavírus como arma biológica antes da pandemia?

Com alarde, mensagem viralizada anuncia documentos que comprovariam essa tese

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Coronavírus

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Portal Correio

Uma reportagem exibida em emissora de TV australiana apresentou documentos que comprovam que o coronavírus foi usado como arma biológica cinco anos antes de a pandemia começar. É o que diz uma mensagem que está sendo muito compartilhada.

Um leitor do MonitoR7 recebeu essa mensagem e nos encaminhou o material, para checagem das informações. A mensagem tem uma foto de uma apresentadora de TV e um link para texto no site Terra Brasil Notícias. Antes do título, a palavra "Bomba", seguida por dois pontos, indicando que a informação seria uma grande novidade.

A apresentadora é a jornalista australiana Sharri Markson, da emissora Sky News, e a reportagem foi exibida em 9 de maio de 2021. Segundo o texto do Terra Brasil Notícias, a apresentadora disse que os documentos mostram que o novo coronavírus foi testado como arma biológica pelos chineses cinco anos antes da pandemia da Covid-19. O site traz o vídeo da reportagem. E, ao assistirmos a ele, constatamos que em nenhum momento é feita essa afirmação.

Na realidade, a jornalista relata a existência de um livro de 2015 em que é discutida a possibilidade de utilização de patógenos como os coronavírus como estratégia de ataque. O livro foi escrito por Xu Dezhong e sugere que a pandemia mundial de Sars, entre 2002 e 2004, teria sido causada por uma modificação genética não natural (produzida em laboratório), que teria se originado em outro país, e não na China.

O autor, portanto, trata do Sars-CoV, e não do Sars-CoV-2, que foi identificado em 2019. A publicação também não afirma que a alegada modificação genética no vírus teria sido feita em laboratório na China. A tese é que teria sido realizada por "terroristas" e se espalhado pelo país.

A reportagem de Sharri, no entanto, trata o livro de Dezhong como se fosse um documento que teria vazado. Trata-se de um livro, lançado comercialmente anos antes, chamado A Origem Não Natural da Sars e Novas Espécies de Vírus Feitos pelo Homem como Armas Genéticas (The Unnatural Origin of SARS and New Species of Man-Made Viruses as Genetic Bioweapon, em inglês).

A publicação esteve disponível para venda e atualmente está esgotada. A jornalista, portanto, não revelou nenhum segredo e não apresentou nenhuma "bomba".

Apesar do aparente sucesso de vendas, a obra não foi levada a sério, algo reconhecido pelo próprio autor, em entrevista ao South China Morning Post. O pesquisador afirmou que tentou publicar sua teoria na revista The Lancet e também escreveu uma carta para o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), sem sucesso.

Depois da reportagem e talvez em razão de sua repercussão, a própria Sharri Markson escreveu e lançou, em setembro passado, um livro em que usa essa também a mesma fonte para tratar do Sars-CoV-2 e sua origem: O que Realmente Aconteceu em Wuhan (What Really Happened in Wuhan, em inglês).

Entre as várias teorias conspiratórias que Sharri, e também Dezhong, defende, há uma que especula que o agente causador da Sars teria sido criado por terroristas e lançado sobre o país asiático, em 2002. Essa afirmação é rebatida por evidências sólidas, desde 2003, e o consenso no meio científico é que a mutação se originou naturalmente em morcegos.

É essa teoria que o site brasileiro cita, usando o termo “coronavírus” de forma enganosa. Se referindo à pandemia atual, mas usando teses — não confirmadas — referentes à pandemia de 2002. O site Terra Brasil Notícias, aliás, já teve outras publicações contestadas, aqui no MonitoR7 e por outras agências de checagem.

O coronavírus tratado na obra é o Sars-CoV, responsável pela epidemia de síndrome respiratória aguda grave (Sars, ou SRAG). A Covid-19, por sua vez, é provocada pelo vírus Sars-CoV-2, agente que ficou conhecido popularmente como o “novo coronavírus” desde o início da pandemia atual.

Como já dito, é provado que o causador da Sars não foi criado em laboratório. Em relação ao Sars-CoV-2, as investigações feitas até hoje, pela OMS e pelo governo do Estados Unidos, foram inconclusivas. Um dos relatórios elaborados pelas autoridades dos EUA, no entanto, afirma não ter encontrado indícios do desenvolvimento do vírus como arma biológica.

“Continuamos céticos em relação às alegações de que o Sars-CoV-2 era uma arma biológica porque são sustentadas por argumentos cientificamente inválidos, seus proponentes não têm acesso direto ao Instituto de Virologia de Wuhan (WIV) e são suspeitos de espalhar desinformação“, diz o documento das autoridades americanas.

Portanto, é falsa a informação de que surgiram documentos que provam que a China testou o novo coronavírus como arma biológica em 2015. Na verdade, existe um livro que afirma que o Sars-CoV, que provocou uma pandemia em 2002, poderia ter sido criado em laboratório e usado como arma biológica. Mas a tese já foi amplamento refutada e não se referia ao Sars-CoV-2.

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Reprodução/ Arte R7

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