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MonitoR7 Covas foram abertas na Rússia para receber vacinados?

Covas foram abertas na Rússia para receber vacinados?

Vídeo mostra túmulos abertos em cemitério russo, que iriam atender demanda de mortes de pessoas imunizadas

Covas foram abertas na Rússia para receber vacinados?

Covas foram abertas na Rússia para receber vacinados?

Pixabay

Circula nas redes sociais uma gravação de um cemitério na Rússia com diversas sepulturas abertas, preparadas para receber vítimas da pandemia de covid. A mensagem que acompanha o vídeo afirma que os corpos seriam de vítimas dos efeitos adversos das vacinas contra a doença. 

A postagem, feita em grupos de troca de mensagem, diz que milhares de covas foram abertas no país para receber os corpos de vacinados, "todos morrendo após a obrigatoriedade das vacinas impostas pelo governo russo". Até o momento dessa checagem, o vídeo já havia recebido mais de 2.600 visualizações.

A Rússia foi um dos primeiros países a apresentar um imunizante contra Covid, chamado de Sputnik V, desenvolvido pelo Instituto Gamaleya, em parceria com o Ministério da Defesa. Os índices de vacinação no país, no entanto, são baixos. De acordo com a Our World in Data, da Universidade de Oxford, somente 45 milhões de pessoas foram totalmente vacinadas, o que representa cerca de 31% da população.

Neste mês de outubro, os russos registraram mais de mil mortes por Covid-19 em um dia, pela primeira vez desde o início da pandemia. O número de casos também foi recorde nessas 24 horas. Vivendo o seu pior momento da pandemia, a Rússia é o quarto país com maior número de contágios acumulados nas últimas semanas.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlim, autoridade federal do país, afirmou que os índices de vacinação do país não são suficientes para frear essa onda de contaminação, já que as novas variantes são mais agressivas. Segundo Peskov, em pronunciamento no dia 11 desse mês, a consciência dos cidadãos é o que pode mudar essa perspectiva, já que "não há outra forma de proteger suas vidas a não ser se vacinando" disse o porta-voz.

Vacinados com a primeira dose são em torno de 49 milhões de pessoas, com as duas doses cerca de 45. Esses  números muito próximos indicam que há resistência à vacinação entre os russos. De acordo com pesquisa feita pelo Centro Levada, especializado em pesquisas analíticas de opinião pública na Rússia, a porcentagem de indivíduos que não pretendem se imunizar é de 54%.

Na última terça (19), o governo de Moscou, capital russa, emitiu um comunicado ordenando que os idosos acima de 60 anos e que não estão vacinados, deveriam aderir ao isolamento por quatro meses. Já as empresas, devem ter pelo menos 30% dos funcionários trabalhando de casa, em home office. As restrições devem valer a partir do dia 25 de outubro e mostram um momento de dificuldade no enfrentamento da pandemia no país. 

O prefeito da cidade, Sergei Sobyanin, escreveu em seu site que a faixa etária mais preocupante é a de idosos. "O mais alarmante é a situação de infecção entre a geração mais velha" afirmou Sobyanin. De acordo com o prefeito, 86% das mortes da cidade são de pessoas acima de 60 anos. 

Portanto, a mensagem que circula é enganosa. A Rússia enfrenta seu pior momento na pandemia, com índices baixos de vacinação e grande resistência da população. Pela primeira vez, o número de mortes foi acima de mil, logo, a demanda está muito mais alta para os cemitérios, que precisam atender todas as vítimas. Como o vídeo mostra.

No entanto, não é possível vincular o crescimento no número de mortes às vacinas, pois a Rússia tem um nível de imunização muito baixo. É bem mais provável que a baixa adesão à vacinação, especialmente entre os idosos, seja um dos motivos da alta mortalidade.

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É enganoso que covas na Rússia foram abertas para receber vacinados

É enganoso que covas na Rússia foram abertas para receber vacinados

Reprodução/Arte R7

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