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Surto de varíola do macaco

MonitoR7 Fora de contexto: vacinas que acabaram com a varíola não têm mais efeitos adversos que a doença

Fora de contexto: vacinas que acabaram com a varíola não têm mais efeitos adversos que a doença

Publicação no Telegram tenta tirar credibilidade da campanha de imunização com dados de um período (últimos 40 anos) em que não existiam mais doentes no mundo

  • MonitoR7 | Gabriel Herbelha, do R7*

Christine Uyanik/Reuters

O surto de casos de varíola do macaco, com mais de 600 registros em pelo menos 30 países, levou grupos antivacina no Telegram a voltarem a compartilhar conteúdos falsos e descontextualizados sobre o imunizante contra a varíola tradicional.

Em um gráfico que circula em diversos grupos no Telegram são colocados os números de “mortes e  lesões causadas pelo vírus” da varíola em comparação com a vacina nos últimos 40 anos.

Gráfico em inglês que circula em grupos antivacina

Gráfico em inglês que circula em grupos antivacina

Reprodução/ Artes: R7

Vale lembrar que essa doença está erradicada há quatro décadas. Portanto, todos os números em relação a ela, incluindo mortes e reações adversas, estão zerados.

Já sobre a vacina, o número de efeitos colaterais registrados seria de 5.755, além de 18 mortes e mais de 800 hospitalizações causadas pelo imunizante.

A fonte citada pelo autor para chegar a esses dados de casos adversos é o Vaers, sistema do CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos para reportar efeitos adversos de vacinas.

Porém, os dados foram colhidos em outro site, o MedAlerts, que pertence à organização National Vaccine Information Center, que ficou conhecida nos Estados Unidos por compartilhar conteúdos antivacina, principalmente durante a pandemia da Covid-19, e que usa o Vaers como base para colher os registros.

O autor da publicação ignora um aviso legal compartilhado pelo CDC de que qualquer pessoa pode reportar eventos adversos de vacina no site do Vaers e que “os relatórios podem conter informações incompletas, não acuradas e não verificadas” e ‘não podem ser usados para determinar se uma vacina causou ou contribuiu para uma doença ou evento adverso”.

No site que alerta sobre os efeitos adversos da vacina contra a varíola, praticamente todas as avaliações são referente ao imunizante Dryvax, da Wyeth. Essa solução, que também foi usada contra a varíola do macaco, deixou de ser usada em 2008 nos Estados Unidos.

Segundo um relatório publicado na Biblioteca Nacional de Medicina, em 2007, reações adversas graves foram reportadas em cerca de 1% ou 2% dos voluntários que tomaram a vacina da Dryvax contra a varíola.

Autoridades médicas substituíram este imunizante por doses da vacina ACAM2000, e também a da Jynneos, que atualmente é a opção mais segura e eficaz contra a varíola e a versão do macaco.

Essas duas vacinas foram aprovadas para uso pelo FDA (Food and Drug Administration), órgão regulador norte-americano.

Até o momento, o imunizante da Jynneos é o único licenciado para a prevenção da varíola do macaco. Países europeus já começaram a encomendar doses da solução para a fabricante dinamarquesa Bavarian Nordic.

Existem vacinas contra a varíola atualmente?

Existem vacinas aprovadas contra esse vírus, mas, por ser uma doença já erradicada, não há a necessidade de campanhas de imunização contra a varíola. As doses, limitadas, são distribuídas para pessoas com alto risco de infecção.

Segundo o CDC, a recomendação é para que apenas pessoas que trabalham em laboratórios que manipulam o vírus que causa a varíola e similares sejam vacinadas.

A imunização coletiva só seria recomendada em caso de um novo surto.

Doença foi combatida com campanha global de vacinação

Em relação aos dados sobre a doença, as informações estão corretas, já que a varíola foi erradicada oficialmente em 1980. Mas o que autor omite é que a praga vermelha, como era chamada, foi combatida com uma intensa campanha de vacinação mundial.

A OMS (Organização Mundial de Saúde), em 1967, lançou um plano para erradicar a infecção, que matou mais de 300 milhões de pessoas no século 20.

Entre as ações, laboratórios de diversos países auxiliaram na produção do imunizante, houve controle e rastreamento de casos, campanhas de conscientização para informar a população sobre a vacinação e estratégias para que pessoas mais suscetíveis fossem infectadas.

Em 1975, foi registrado em Bangladesh o último caso do mundo da varíola major, o tipo mais letal, que matava 30% dos enfermos. Cinco anos depois, a OMS anunciou a erradicação da doença.

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* Estagiário do R7, com edição de texto de Marcos Rogério Lopes

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