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MonitoR7 Maior número de mortes por Covid ocorreu com mais gente vacinada?

Maior número de mortes por Covid ocorreu com mais gente vacinada?

Cerca de 66% das mortes de brasileiros por Covid foram registradas em 2021, após o início da vacinação

  • MonitoR7 | Do R7

Carla Carniel/REUTERS

Uma postagem com duas notícias tem viralizado nas redes sociais. O primeiro texto é de 1° de janeiro deste ano, quando o Brasil registrava 195 mil óbitos pela Covid. O segundo é de 15 de outubro, quando contabilizávamos 602 mil mortes.

A legenda que acompanha a mensagem diz que "com mais de 100 milhões de pessoas vacinadas com duas doses, em 2021 mais de 400 mil pessoas morreram". Ela já foi visualizada mais de 7 mil vezes em um grupo antivacina da plataforma Telegram.

Contudo, de acordo com especialistas consultados pelo MonitoR7, não faz sentido comparar o número de mortes em 2021 com o dado anterior ao início da vacinação.

Em primeiro lugar, não faz sentido por uma questão lógica. Boa parte das mortes registradas nos primeiros meses de 2021 foram de pessoas que ficaram doentes antes do início da vacinação.

Outra parte significativa dessas mortes ocorreu antes que as pessoas ficassem completamente imunizadas, com duas doses de vacina (que é o critério que a própria legenda usa). É descabido dizer que as 400 mil mortes deste ano ocorreram com 100 milhões de pessoas vacinadas.

A estatística correta, que confirma a importância da vacinação no combate à doença, está não no número acumulado de mortes, mas no número de mortes por dia. No dia 16 de janeiro deste ano, um dia antes de a primeira pessoa receber uma vacina contra Covid no Brasil, foram registradas 1.050 mortes pela doença.

Esse número continuou crescendo, até atingir o pico em 8 de abril, com 4.249 mortes. E a partir daí cair progressivamente, até as 442 mortes registradas na última terça-feira (26). Dados do Ministério da Saúde.

Além disso, há diferenças na doença, do ponto de vista médico. Segundo o infectologista e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri, o pico da pandemia neste ano foi mais devastador que o do ano passado. "Um fator foi a circulação da variante gama (P1) no país. Coincidiu o pior momento de combate ao Covid com o maior fluxo de circulação desta variante, que surgiu no Brasil", disse.

Já o porta-voz da Sociedade Brasileira de Infectologia, Julival Ribeiro, explica que a vacinação começou tarde em território nacional. Isso permitiu que a doença se alastrasse mais fortemente. "Se tivéssemos começado a vacinar antes, como vários países fizeram, não teríamos tido um número de casos tão grande neste ano, comparado a 2020".

"Esperamos concluir logo a vacinação da maior parte do povo brasileiro, com as duas doses", afirma Julival. "Um bom indício de que a imunização funciona é que a taxa de transmissão do vírus está abaixo de 1, ou seja, uma pessoa contaminada não espalha o vírus de forma perigosa".

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Mensagem do Telegram com informação distorcida, que passa uma mensagem falsa

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REPRODUÇÃO/ARTE R7

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