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MonitoR7 Melatonina em cápsulas evita ou impede a Covid-19? 

Melatonina em cápsulas evita ou impede a Covid-19? 

Conhecida como 'hormônio do escuro', a molécula tem efeito sobre o Sars-CoV-2, segundo pesquisa

  • MonitoR7 | Do R7

Sars-CoV-2: vírus causador da Covid-19

Sars-CoV-2: vírus causador da Covid-19

Divulgação/National Institute of Allergy and Infectious Diseases

A mensagem é sutil, mas chama atenção. Em vários anúncios e postagens de médicos e vendedores de produtos naturais, é possível encontrar a hashtag #MelatoninaCovid — em geral colocada no fim de textos que, em nenhum momento, indicam a substância para prevenção ou tratamento da doença.

Em levantamento feito nas redes sociais, encontramos diversas postagens de médicos e outros perfis sugerindo a suplementação de melatonina, vendida em cápsula, ou até mesmo a ingestão de frutas que ajudariam na produção da substância. No final, a já citada hashtag.

Mas quem conhece o funcionamento da internet sabe que isso é o suficiente para que tais publicações apareçam nas pesquisas de pessoas interessadas na busca de produtos que ajudem a proteger contra a infecção ou tratar a doença. E essa busca pela melatonina relacionada com a Covid-19 tem se intensificado desde quando foi divulgada uma pesquisa sobre o tema.

Em artigo científico, publicado na revista Melatonin Research, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descreveram a descoberta de que o hormônio melatonina produzido nos pulmões impedia que o Sars-CoV-2 entrasse no organismo das pessoas.

Segundo os pesquisadores, esse é um dos fatores capazes de explicar o motivo de algumas pessoas não serem infectadas pelo vírus. Ou daquelas que têm o vírus no organismo, detectado em testes, mas não apresentam os sintomas da Covid-19.

A melatonina é uma molécula presente em todos os seres vivos e conhecida como o “hormônio do escuro”. Nos seres humanos, é produzida na glândula pineal, na base do cérebro, tendo comunicação direta com a retina.

Esse hormônio é liberado durante o período noturno, quando o céu escurece. É um dos fatores que permitem ao nosso organismo identificar a chegada do momento em que o corpo precisa descansar. Por isso, tem um papel importante na indução ao sono.

Além de originada no cérebro, a melatonina é produzida nos pulmões. É especificamente essa melatonina que teve a ação protetora contra o vírus detectada pela pesquisa. A professora da USP Regina Pekelmann Markus, que coordenou o trabalho, explica que, no início dos estudos, se tinha a percepção de que “deveríamos ter alguma proteção no nível dos pulmões”.

“Passamos a olhar a melatonina, mostrando que esse hormônio impede a infecção pelo vírus de células que são consideradas as portas de entrada do Sars-CoV-2", diz a professora. Sem infectar o organismo, o vírus permanece na pessoa, sem também ativar o sistema imunológico. A pessoa, portanto, não é infectada ou não desenvolve a doença. Mas tem capacidade de transmitir o vírus.

“Em indivíduos que tinham baixo índice de melatonina, havia maior permissividade para que essas vias funcionais se relacionassem. [...] Quando [a pessoa] tinha mais melatonina, as rotas ficavam bloqueadas. Se o vírus entra, ele não consegue caminhar direito e, se caminhar, não consegue se reproduzir”, explica a professora sobre a diferença.

Vale a pena, então, tomar as cápsulas de melatonina que podem ser encontradas no mercado? Não vale. A professora explica que, na ingestão via oral de medicamentos à base de melatonina, eles vão até o sistema circulatório interno, não chegando até os pulmões. “Precisa ser outra forma de administração”, explica.

Em 2021, após a publicação da pesquisa, houve a perspectiva de que pudesse ser testado o uso da melatonina, aplicado pelas vias respiratórias. Segundo Regina Pekelmann, embora ainda não se tenha descoberto uma forma eficiente de administrar a substância, a pesquisa continua, e esse é um caminho promissor para o tratamento da doença. 

“É uma possibilidade. Muito mais importante do que foi em janeiro de 2021, pois estamos no meio do surto da Ômicron, e estamos vendo que vírus continuarão aparecendo e, se a gente souber que há pessoas mais suscetíveis a se infectarem, poderemos proteger melhor a população”, afirma a pesquisadora.

A venda de melatonina no Brasil foi liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em outubro do ano passado, como suplemento alimentar, para pessoas com 19 anos ou mais de idade e para o consumo diário máximo de 0,21 mg. O produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças e pessoas envolvidas em atividades que requerem atenção constante.

A Anvisa recomendou ainda que pessoas com enfermidades ou que usem medicamentos devem consultar seu médico antes de consumir a substância e não aprovou o consumo de suplementos alimentares à base de melatonina. A principal indicação da substância é para o combate a dificuldades de sono.

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Publicações usam  a hashtag #MelatoninaCovid para induzir à conclusão de que a substância vendida em cápsulas ajuda na prevenção ou tratamento da Covid-19

Publicações usam a hashtag #MelatoninaCovid para induzir à conclusão de que a substância vendida em cápsulas ajuda na prevenção ou tratamento da Covid-19

Reprodução/ Artes: R7

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