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MonitoR7 Pandemia pode acabar em dois meses, segundo epidemiologista?

Pandemia pode acabar em dois meses, segundo epidemiologista?

Declaração de especialista da Dinamarca animou redes sociais e grupos de mensagens brasileiros

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Avanço da Ômicron na Europa gerou um grande aumento no número de casos de Covid-19

Avanço da Ômicron na Europa gerou um grande aumento no número de casos de Covid-19

ANTONIO DASIPARU/EFE/EPA

Notícias veiculadas em sites britânicos tiveram grande repercussão em grupos do Telegram e no Twitter, graças a uma previsão otimista sobre o fim da pandemia da Covid-19.

“Chefe de Saúde da Dinamarca diz que Ômicron está provocando o FIM da pandemia e teremos vida normal em dois meses”, afirma uma das publicações, que traduziu a manchete de um tabloide inglês. As informações são verdadeiras; precisam, porém, ser contextualizadas.

Tyra Grove Krause, epidemiologista-chefe do Statens Serum Institut, na Dinamarca, em entrevista nesta semana a uma emissora de TV local, avaliou que o cenário no país é positivo, apesar do pico de casos da doença, acarretado pelo avanço da variante Ômicron.

Questionada sobre até quando a pandemia iria afetar a vida na Dinamarca, Krause respondeu que acredita que "em até dois meses". E disse que, "a partir daí, espero que as infecções comecem a descer e voltemos à nossa vida normal”.

O Statens Serum Institut, instituto de pesquisa em que a epidemiologista trabalha, descobriu em  estudo recente que o risco de hospitalização de pessoas contaminadas com a Ômicron é reduzido à metade, se comparado com a variante Delta.

O avanço dessa variante, descoberta inicialmente na África do Sul, em novembro do ano passado, está causando uma onda de novos casos em todo o mundo. Os Estados Unidos registraram 1 milhão de novos contaminados apenas na última segunda-feira (3). Um recorde. 

A variante Ômicron é responsável por 95,4% desses novos registros em território americano. Em novembro passado, 99% dos casos nos EUA eram da variante Delta. A Ômicron também é responsável pela explosão no número de ocorrências nos países da União Europeia.

A nova variante, no entanto, não tem tido o mesmo efeito sobre o número de mortes. Em nível mundial, as mortes diárias têm variado entre 4 mil e 8 mil. Esses números vêm se mantendo estáveis desde outubro. Num dos piores momentos da pandemia, na semana entre 20 e 26 de janeiro de 2021, a média mundial de mortes diárias foi de 14,8 mil.

Na Dinamarca, o número de novas contaminações também cresceu muito. A média móvel registrada no último dia 2 foi de 20.885 casos novos por dia. Um patamar muito acima do observado quando o país viveu um pico anterior de infecções, com registro de média móvel de 3.536 novos casos por dia, em 18 de dezembro de 2020. Os dados são do site Our World in Data, que compila informações sobre a doença em todo o mundo.

Mas, apesar desse crescimento na quantidade de casos, o número de mortes segue em baixa. No último dia 2 foram registradas 14 mortes confirmadas por Covid na Dinamarca. No dia 21 de janeiro de 2021 ocorreram 35 mortes, pico no registro de óbitos naquele país.

Segundo dados do site Our World in Data, 78,9% dos dinamarqueses já estão totalmente vacinados e cerca de 49% da população já recebeu a dose de reforço do imunizante.

A epidemiologista explicou que a Ômicron, por ser uma variante muito mais transmissível, infectará muitas pessoas, mas que estas não sofrerão sintomas graves. A contaminação trará menos danos à saúde, mas vai ajudar a ampliar o nível de imunidade na população.

“A longo prazo, estamos em uma posição em que o coronavírus estará aqui, mas contido, e apenas os particularmente vulneráveis precisam ser vacinados até o próximo inverno”, afirmou a especialista.

O gerente de incidentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), Abdi Mahamud, disse que as evidências em relação à Ômicron parecem ser “boas notícias”, pois essa variante se restringe à parte superior do corpo, diferentemente das outras, que atingem os pulmões causando pneumonia severa.

Portanto, a previsão do fim da pandemia é avaliação de uma única especialista, que se referia apenas à situação na Dinamarca e se baseia em estudo realizado naquele país. A conclusão não pode ser aplicada diretamente em outras nações e no resto do mundo. 

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Declaração de epidemiologista dinamarquesa é usada fora de contexto

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Reprodução Arte R7

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