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Reino Unido

MonitoR7 Placa culpa Brexit pela escassez de alimentos em mercados britânicos?

Placa culpa Brexit pela escassez de alimentos em mercados britânicos?

A imagem da placa viralizou nas redes sociais, culpando as pessoas que votaram pela saída do Reino Unido da União Europeia. 

  • MonitoR7 | Do R7

Mercados britânicos com escassez de alimentos

Mercados britânicos com escassez de alimentos

BBC BRASIL

A crise de abastecimento no Reino Unido é uma realidade e, por isso, gerou várias postagens nas redes sociais. Algumas, tentando apontar um culpado. Uma imagem viral mostra uma placa em supermercado britânico culpando a saída do Reino Unido da União Europeia(o chamado Brexit) pela falta de produtos na prateleira. Esta imagem repercutiu muito na Inglaterra e chegou à internet brasileira.

Na placa, em inglês, está escrito "Desculpem pelas escolhas limitadas. Esse é o resultado pela votação por deixar a União Europeia e falar para os europeus 'voltem para a p* de seus países'. Felizes agora?". A linguagem ofensiva já chama atenção. Não é padrão para estabelecimentos comerciais. A mensagem ainda tem tem erros de gramática. Para quem é bom observador, é possível também notar que o texto está desalinhado do papel em que, em tese, está impresso.

Ao procurar por imagens de prateleiras vazias no Reino Unido, a equipe do MonitoR7 constatou que se trata de uma imagem falsa.  Na imagem verdadeira, o aviso fala que por causa dos problemas de abastecimentos que estão ocorrendo no país inteiro, eles não estavam com sua linha completa de produtos, mas que estão trabalhando duro para reabastecer o estoque para os consumidores. 

Reprodução/Redes sociais

Apesar da imagem ser falsa, a situação de desabastecimento é real. O Reino Unido passa por uma crise de abastecimento. Um dos principais motivos é a falta de motoristas de caminhão para o transporte de mercadorias.

As vagas dos motoristas mais velhos, que se aposentam, não tem sido preenchidas com facilidade. A falta de profissionais de outros países, a partir da saída do Reino Unido da União Europeia, reduziu o número de pessoas dispostas a enfrentar condições de trabalho que não são boas.

Desde que o Brexit entrou em vigor, em 1º de janeiro, as empresas britânicas não podem empregar cidadãos da UE sem um visto de trabalho ou sem o status de "estabelecido" no Reino Unido. Estima-se que o Reino Unido tenha cem mil motoristas de caminhão a menos do que precisa. E, por causa do Brexit, novos motoristas da Europa não podem mais vir trabalhar no Reino Unido com a mesma facilidade de antes. Inclusive, muitos voltaram para seus países durante a pandemia de COVID e não voltaram. E enquanto o país estava fechado, o treinamento de novos motoristas parou.

Em relação às condições de trabalho, os motoristas afirmam que a falta de interesse nestas vagas acontece por problemas como pagamento baixo e falta de locais seguros para parar ao longo de suas rotas de viagem. E não é fácil repor um profissional da área. O treinamento é caro. O custo é estimado em 3.500 libras, ou cerca de 25 mil reais. 

Com a pandemia, o problema somente se agravou. O governo do Reino Unido usa um sistema de rastreamento de casos através de um aplicativo celular. No NHS Covid App, se o cidadão entrar em contato com uma pessoa que contraiu Covid recentemente, ele recebe uma mensagem e é aconselhado a se isolar por 10 dias.

A mensagem tem o som de "ping" e, por isso, criou-se a gíria de que esses profissionais são "pingados". O fenômeno teria gerado uma "pingdemic", ou pingdemia, em português.

Esta situação provoca preocupação em algumas indústrias e serviços, como é o caso do varejo de alimentos, postos de combustível, transportes de mercadorias, forças de segurança e redes de transportes, que veem um grande número de funcionários obrigados a ficar em casa e a se isolar por causa do “ping”.

Para tentar resolver essa situação, o governo do Reino Unido começou a permitir que os motoristas fiquem mais tempo nas estradas. O que causa outro problema, pois os caminhoneiros começam a trabalhar até a exaustão. Já a maior loja de atacado da Grã-Bretanha anunciou um bônus de mil libras, ou cerca de 7 mil reais, para quem for contratado como motorista da empresa.

Montagem a partir de postagem com a placa adulterada

Montagem a partir de postagem com a placa adulterada

Reprodução/ Arte R7

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