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MonitoR7 Sim, mães conseguem levantar carro para proteger o filho, e isso já aconteceu ao menos uma vez

Sim, mães conseguem levantar carro para proteger o filho, e isso já aconteceu ao menos uma vez

Nos Estados Unidos, história registrada em 1964 prova que feito é possível; peso da parte da frente do veículo supera o recorde mundial atual de halterofilismo

  • MonitoR7 | Ana Luiza Pêgo, do R7*

Angela Cavallo posa com filho, Tony e vizinho que a ajudou a socorrer menino

Angela Cavallo posa com filho, Tony e vizinho que a ajudou a socorrer menino

Reprodução/The Springfield Union (Springfield, Mass)

Angela Cavallo entrou para a história como uma mulher que levantou um carro para salvar seu filho de um acidente. Na cidade de Lawrenceville, no estado americano da Geórgia, a mãe de Tony — com 11 anos na época — ergueu o veículo cerca de dez centímetros e contou com a ajuda de vizinhos para socorrer o garoto, que estava embaixo do automóvel. Isso aconteceu em 1964.

De acordo com jornais locais, o menino fazia reparos embaixo do carro quando a ferramenta usada para segurar o veículo desmontou e ele caiu em cima de Tony. No momento, o garoto ficou desacordado. A mãe tentou chamar a atenção do menino, pedindo para ele sair dali, mas não obteve resultado.

Angela disse então que levantou o carro, mas que não conseguiu tirá-lo debaixo do automóvel. Por isso, um outro garoto, da mesma idade de Tony e que estava na rua naquele dia, foi atrás de vizinhos para ajudar.

Quando encontrou reforços, eles recolocaram a ferramenta e tiraram Tony debaixo do carro.  Depois, o menino foi levado ao hospital e os neurologistas não constataram nenhum dano cerebral no garoto. 

No caso, o veículo era um Chevrolet Impala, modelo 1964. O carro pesa em torno de 1.500 quilos e tem mais de 5 metros de comprimento entre para-choque e porta-malas. 

Para efeito de comparação, os recordistas mundiais de levantamento de peso batem marcas que chegam perto somente de um terço do peso do Chevrolet que Tony estava arrumando. O bicampeão olímpico georgiano, Lasha Talakhadze, ergueu quase 500 quilos no último campeonato mundial. Já para as mulheres, a chinesa LI Wenwen levantou 335 quilos na Olimpíada de Tóquio, em 2021.

Apesar da história verídica, especialistas são mais cautelosos sobre a questão. Valquíria Marques Ramos, professora do curso de psicologia da Universidade Anhembi Morumbi, aponta que a situação deve ser explicada com base em dois aspectos complementares: as questões fisiológicas e as condições emocionais. 

Valquíria explica que as fibras musculares respondem a impulsos nervosos e é isso que vai determinar a intensidade e a força de um movimento. "Pesquisas apontam que não somos capazes de utilizar 100% da força cotidianamente, mas diante de uma ameaça esse percentual pode chegar no seu limite máximo."

A professora afirma que situações como a de Angela Cavallo acontecem pela junção das circunstâncias físicas do indivíduo e do estado psicológico em que ele se encontra.

Em um momento de urgência, dizem os especialistas, pode acontecer de a pessoa não sentir as dores, que normalmente inibem o excesso de esforço.

Harley Sato, professor de Física do Curso Anglo, destaca que como a mãe levantou o carro, com duas rodas ainda apoiadas no chão, a força necesária a aplicar é bem menor que a necessária para levantar o peso total do veículo.

"A intensidade da força para levantar apenas uma parte do carro, deixando ele apoiado em apenas duas rodas é um valor bem menor que esse, mas ainda de valor elevado. Não é qualquer pessoa que consegue", disse.

De acordo com o docente, para realizar tal feito, Angela teve força suficiente para levantar bem mais de meia tonelada. Em outras palavras, ela superou o recorde mundial para salvar seu filho, mas o feito não foi registrado em uma competição.

"A parte da frente do automóvel é mais pesada, póis é onde está o motor. Se tentar levantá-lo por trás, a parte da frente vira um apoio e diminui a quantidade de força necessária. Mas ainda seriam 500 quilos, o que não é nada fácil", destaca Harley Sato.

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*Estagiária do R7, com edição de texto de Marcos Rogério Lopes.

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