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MonitoR7 Telefone sem fio: 7 expressões populares que mudaram de sentido por causa de erros de interpretação

Telefone sem fio: 7 expressões populares que mudaram de sentido por causa de erros de interpretação

No Dia da Língua Portuguesa, o MonitoR7 explica, por exemplo, que alguém da pá virada era inútil, incapacitado para uma função, mas virou um aventureiro inconsequente

  • MonitoR7 | Gabriel Herbelha*, do R7

Quando alguém subia mal em um cavalo, enfiava o pé no jacá, que virou jaca com o tempo

Quando alguém subia mal em um cavalo, enfiava o pé no jacá, que virou jaca com o tempo

Pixabay

Nesta quinta-feira (5) é comemorado no Brasil o Dia da Língua Portuguesa. O idioma, falado por mais de 260 milhões de pessoas, é o quinto mais popular no mundo, adotado como língua oficial em nove países de quatro continentes.

Por se tratar de um idioma tão rico, que passou por muitas transformações ao longo dos séculos, a origem de algumas expressões bastante utilizadas atualmente na verdade não é o que parece. Em resumo, erros de interpretação e outras questões também ajudaram a propagar fake news na nossa língua.

Confira abaixo alguns ditados populares que foram “alvo” de erros históricos.

Cor de burro quando foge

A expressão, que hoje significa dizer que algo não tem uma cor definida, mudou de sentido com o tempo. Originalmente, falava-se “corra de burro quando foge”, em um alerta para a agressividade do animal nessa situação, mas a frase foi sendo modificada ao longo dos anos pelo dialeto popular.

Criado-mudo

Há alguns anos, surgiu a polêmica de que o uso dessa expressão para designar um móvel teria uma origem racista. Circularam informações de que o termo criado-mudo teria sido desenvolvido na época da escravidão, e que faria referência ao escravo obrigado a ficar horas ao lado da cama dos senhores, realizando os serviços solicitados, em absoluto silêncio.

A discussão veio à tona em 2019, quando uma loja de móveis, em uma ação de marketing, pediu aos clientes que substituíssem o termo criado-mudo por cabeceira, citando a origem escravocrata do primeiro substantivo.

No entanto, na época da escravidão, o termo criado não era usado para fazer referência aos escravos, e buscas feitas através do Google Trends mostram que antes de 2019 não houve nenhuma associação entre criado-mudo e escravo.

Há uma linha de discussão segundo a qual a origem do termo vem da palavra dumbwaiter (criado-mudo, em inglês), que era um pequeno elevador usado no século 19, nos Estados Unidos, para transportar com mais facilidade as refeições nas grandes residências da época.

Enfiou o pé na jaca

Associada à bebedeira além da conta, essa expressão é mais uma cujo significado atual nada tem a ver com o original.

No passado, vendedores utilizavam uma cesta chamada jacá, que era colocada em animais que transportavam alimentos que seriam vendidos, como frutas, legumes, carnes e queijos.

No caminho, era comum os condutores pararem em bares e, após alguns copos de bebida, ao retomarem a viagem, enfiarem o pé no jacá ao tentar montar no animal.

Com o tempo, e por ser pouco utilizada, a palavra jacá foi substituída por jaca, nome de uma fruta bem mais popular.

Quem não tem cão caça com gato

Mais um caso de ditado que perdeu o significado original ao longo dos anos. Inicialmente, a expressão correta era “quem não tem cão caça como gato”, para valorizar as características felinas, como ser sorrateiro e sigiloso. Hoje em dia, com a mudança, o ditado faz referência à necessidade que as pessoas têm de “se virar“ com o que está à sua disposição.

Cuspido e escarrado

Frase usada para falar de semelhanças físicas entre uma pessoa e outra, também foi mudada ao longo da história, mas manteve o significado. A frase original seria “esculpido em carrara”.

Carrara é um tipo de mármore italiano usado para fazer esculturas que tinha como característica  deixar a obra muito parecida com a pessoa homenageada. Por causa disso, quando duas pessoas se pareciam, costumava-se dizer que uma delas havia sido “esculpida em carrara”.

Arroz de festa

A expressão fala sobre aquela pessoa que está presente em todas as festas, aquela que é a primeira a chegar e a última a deixar o recinto em eventos sociais.

Em uma das versões, explicadas pelo historiador, cronista, escritor e folclorista Luís da Câmara Cascudo, a origem do termo vem da sobremesa de arroz-doce.

Muito comum nas mesas de ambientes festivos, o prato, feito à base de arroz, leite, açúcar e canela, era uma “gulodice indispensável e preferida ao paladar português”, segundo Cascudo, e se tornou sinônimo de um prato costumeiro em festas, o que deu origem ao apelido.

E esse é mais um dos exemplos de expressão que manteve parcialmente o sentido inicial. Neste caso, porém, ela agora se refere a pessoas, e não a um prato de sobremesa.

Da pá virada

Hoje usada para adjetivar pessoas inquietas, aventureiras e um pouco inconsequentes, a expressão surgiu com um intuito muito diferente, de depreciação.

Na origem, a expressão se refere ao instrumento em questão, a pá. Quando ela está virada para baixo, é um instrumento inútil, incapaz de exercer a função.

Então, antigamente, um sujeito da pá virada seria alguém sem ocupação, que não servia para nada.

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*Estagiário do R7, com edição de texto de Marcos Rogério Lopes.

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