MonitoR7 Vacina causou paralisia facial em ministro na Austrália?

Vacina causou paralisia facial em ministro na Austrália?

Victor Dominello foi diagnosticado com paralisia de Bell após dar entrevista coletiva com metade do rosto paralisado

Vacinação contra Covid-19

Vacinação contra Covid-19

Arquivo

Viralizou nesta semana o vídeo de um ministro australiano com metade do rosto paralisada, durante uma entrevista coletiva. Victor Dominello, ministro de Atendimento ao Cliente em New South Wales, na Austrália, aparece com o olho esquerdo parcialmente fechado e o lado esquerdo do lábio visivelmente caído.

Os textos que acompanham o vídeo. em postagens de redes sociais e mensagens de aplicativos, trazem a informação de que Dominello tomou a vacina contra Covid-19. Uma das postagens afirma que ele "foi acometido por um dos 'efeitos adversos' das vacinas".

O ministro australiano afirmou que nem tinha percebido o problema, até começar a receber inúmeras mensagens sobre sua expressão facial peculiar durante a entrevista coletiva. Ele então  buscou atendimento médico e foi diagnosticado com a paralisia de Bell, uma condição temporária, que causa fraqueza nos músculos de um dos lados do rosto. Essa paralisia pode ser ocasionada por infecções virais ou por um quadro de baixa imunidade,  quando a pessoa é suscetível a ter algum problema no organismo. 

Grupos anti-vacina ao redor do mundo usaram do fato de Dominello ter se imunizado contra a Covid-19 com as duas doses da vacina da AstraZeneca, entre o final de maio e junho, para afirmar que o problema de saúde dele seria um efeito colateral da vacina.

O ministro, que se pronunciou pelas suas redes sociais oficiais, em nenhum momento relacionou a paralisia que o acometeu com a vacinação contra Covid-19. Ao contrário, ele fez questão de separar as duas situações: "estamos focados em Covid, mas existem muitos outros desafios à saúde que as pessoas enfrentam".

A médica infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen ressalta que qualquer imunizante ou medicamento está sujeito a reações adversas, e que nesses casos, se deve avaliar os benefícios versus riscos. Ela considera que comparando o número de registros de efeitos adversos em relação aos casos sem efeitos adversos, os riscos são quase inexistentes. 

A paralisia de Bell ou paralisia facial periférica tem uma incidência média, na população em geral, entre 15 e 30 casos por 100.000 habitantes. É uma condição que assusta e costuma levar as pessoas ao atendimento médico de emergência, pelos sintomas parecidos ao de um AVC(Acidente Vascular Cerebral). No entanto, a maioria das pessoas acometidas se recuperam completamente.

Estudo publicado este mês na revista científica "The Lancet", uma das mais respeitadas do mundo, avaliou a incidência de casos de paralisia de Bell em pessoas de Hong Kong que tomaram as vacinas Coronavac e da Pfizer. A incidência de casos encontrada foi de 3,61 a cada 100 mil doses administradas para a Coronavac e de 2,04 casos a cada 100 mil para a vacina da Pfizer. Bem abaixo da média da população geral. 

Ainda segundo o estudo, a paralisia de Bell é uma condição de saúde “transitória”, com 70% dos pacientes acometidos com a doença se recuperando em 6 meses sem nenhum tratamento. Com o uso de corticoides, a chance de recuperação aumenta para 90% em 9 meses.

A agência reguladora de medicamentos e produtos para a saúde(MHRA), órgão do governo do Reino Unido, também reportou em publicação sobre a Covid-19 que está revisando eventuais casos da Bell ocorridos após a vacinação. Mas a agência informou que os casos da paralisia relatados são “similiares” aos registros pré-pandemia e “não sugerem um risco aumentado após as vacinas”.

No território britânico, até o dia 12 de agosto, foram relatados 537 casos da paralisia de Bell em pacientes que tomaram a vacina da AstraZeneca, mesmo imunizante usado pelo ministro da Austrália. No território do Reino Unido são usadas quatro vacinas diferentes (Oxford/Astrazeneca; Pfizer; Janssen e Moderna) e cerca de 88,8 milhões de doses já foram aplicadas.

“Precisamos ter mais estudos, para ver o impacto desse tipo de reação e como isso vai a médio e longo prazo, se é ou não observado em outras pessoas”, ressalta a infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen. 

Portanto, apesar do ministro australiano ter sido acometido com a paralisia de Bell, não é possível afirmar que isso é resultado de uma reação colateral da vacina contra Covid-19. A doença também é causada por outros fatores e o caso individual do ministro teria que ser avaliado por médicos. E mesmo que fosse constatada a correlação, o risco de paralisia de Bell registrado até agora entre as pessoas vacinadas é mais baixo ou semelhante ao registrado na população em geral.

Publicação enganosa sobre caso de paralisia de ministro australiano

Publicação enganosa sobre caso de paralisia de ministro australiano

Reprodução/Arte R7

Últimas