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MonitoR7 Vacinados contra Covid precisam fazer exame de sangue especial?

Vacinados contra Covid precisam fazer exame de sangue especial?

Mensagens indicam o exame Dímero-D, que permite a identificação de problemas de coagulação

Mensagens circulam indicando o procedimento médico como forma de combater coágulos sanguíneos supostamente causados pelos imunizantes

Mensagens circulam indicando o procedimento médico como forma de combater coágulos sanguíneos supostamente causados pelos imunizantes

Freepik

Em grupos virtuais de troca de mensagem, publicações sobre o exame médico dímero-D viralizaram como orientação pós-vacina. As postagens fazem referência a um áudio, de cerca de 15 minutos, que relaciona supostos coágulos sanguíneos com vacinas contra Covid.

Além dessa gravação de voz, outras mensagens incentivam o procedimento médico, como parte de um discurso anti-vacina. A legenda de uma das publicações deixa isso evidente: "Áudio muito importante sobre o exame Dimero D para detecção de coagulação mortal após a picada venenosa. Compartilhe URGENTE!!!!" 

Para compreender o procedimento médico, é preciso entender o que é o exame dímero-D e para que ele serve. No caso, dímero-D é um produto da degradação de uma proteína, a fibrina. Ela é importante para o processo de coagulação do sangue.

Se você sofre um corte, por exemplo, a coagulação é importante para que aquele corte pare de sangrar e se inicie o processo de cura. É formada uma espécie de tampão sobre o corte. Aquela "casquinha" que sobre o ferimento. Aquilo é formado de fibrina. Dentro do nosso organismo também se formam coágulos com fibrina. Só que, neste caso, os coágulos são perigosos, porque reduzem o espaço para circulação do sangue nas veias e artérias.

O organismo tem, então, um sistema para quebrar esses acúmulos de fibrina. Os fragmentos que sobram desse processo são chamados de produtos de degradação da fibrina. O Dímero-D é um deles.

A presença de Dímero-D no sangue indica que há coágulos e que o organismo está atuando sobre eles. Mas níveis altos de Dímero-D podem indicar um processo grande de coagulação. O que pode gerar trombose, tromboembolismo pulmonar e outros fenômenos perigosos e, muitas vezes, letais.

O médico infectologista Marcelo Daher, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), afirma que recomendar esse exame para pessoas vacinadas contra Covid não tem serventia nenhuma. Na realidade, o especialista diz que o exame é usado no acompanhamento dos pacientes em estado grave da doença, já que o paciente com Covid tem uma possiblidade maior de ter quadros embólicos. 

O médico alega que o nível de dímero-D na corrente sanguínea, em condições normais é zero ou muito baixo. Após a vacinação, esses índices continuam normais, já que os imunizantes não apresentam coagulação sanguínea como reação comum. Logo, se não existe mudança no nível de dímero-D no organismo, não tem razão para fazer o exame. Daher reforça que trombose e embolia pulmonar são eventos adversos raros, visto que já foram aplicadas "bilhões de doses e o número de casos de embolia pulmonar ou de trombose foi muito pequeno". 

Além de ser desnecessário, o exame tem custos, se não tiver indicação médica. Em alguns laboratórios consultados, encontramos o exame de Dímero-D por valores entre R$ 85 e R$ 259. Um custo alto para um exame que não vai trazer benefícios para o acompanhamento da saúde de pessoas sem a doença.

Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ), em agosto desse ano, comparou os dados médicos de 29 milhões de pessoas que receberam a primeira dose das vacinas Pfizer-BioNtech ou Oxford-AstraZeneca, entre dezembro de 2020 e abril de 2021 com as informações de quase dois milhões de pessoas que testaram positivo para o novo coronavírus. Até o momento, esta é a maior pesquisa desenvolvida nesse âmbito.

As conclusões apontam para um risco maior de desenvolver trombose por coágulos sanguíneos em decorrência da doença Covid do que para pessoas vacinadas. Por exemplo, as chances de desenvolver uma trombose venosa é quase 200 vezes maior com a doença causada pelo coronavírus (12.614 casos adicionais entre 10 milhões de pessoas) do que com o imunizante da AstraZeneca (66 casos adicionais). 

Durante o áudio, a mulher discorre sobre outras notícias falsas que envolvem os imunizantes contra Covid. Em nenhum momento ela se identifica ou dá elementos para que o caso do marido dela, contado no áudio, possa ser identificado e checado.

A mulher afirma apenas ter sido uma propagandista de remédios durante anos e que, por isso, conheceria muito de Medicina. Além de recomendar o exame, que é desnecessário, ela faz outras alegações falsas sobre as vacinas, já desmentidas em checagens anteriores do MonitoR7.

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É fake que vacinados precisam fazer exame de sangue especial

É fake que vacinados precisam fazer exame de sangue especial

Reprodução/Arte R7

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