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MonitoR7 Valor que Elon Musk ofereceu pelo Twitter ajudaria, mas não acabaria com a fome no mundo

Valor que Elon Musk ofereceu pelo Twitter ajudaria, mas não acabaria com a fome no mundo

Anúncio da compra por US$ 44 bilhões levantou debates nas redes sociais sobre necessidade de bilionários se envolverem em questões humanitárias

  • MonitoR7 | Gabriel Herbelha, Do R7*

Ajuda precisaria ser bem maior e permanente

Ajuda precisaria ser bem maior e permanente

Brendan Smialowski/AFP - 11.4.2022

Na segunda-feira (25) foi confirmado o acordo do bilionário Elon Musk para comprar o Twitter por cerca de US$ 44 bilhões (R$ 215 bilhões). Há previsão para o acordo ser totalmente aprovado até o final do ano.

Figura controversa, Musk é o homem mais rico do mundo, com patrimônio estimado em US$ 273 milhões (R$ 1,3 trilhão), e foi eleito Personalidade do Ano pela revista Time m 2021.

Nas redes sociais, parte dos usuários criticaram a compra do Twitter pelo criador da montadora Tesla. Um tuíte específico, que já tem mais de 114 mil curtidas, diz que: “Elon Musk poderá anunciar a compra do Twitter hoje por 43 bilhões de dólares. O valor é seis vezes maior do que o necessário para acabar com a fome no mundo, segundo a ONU”.

No entanto, é falso que essa quantia resolveria o problema da fome mundial. Longe disso.

Essa discussão teve início em outubro do ano passado, quando uma matéria vinculada em um site de notícias norte-americano dizia que 2% do patrimônio de Elon Musk acabaria com a fome, segundo palavras do diretor do PMA (Programa Mundial de Alimentos), agência da ONU (Organização das Nações Unidas) que trata da questão.

Em resposta, o bilionário disse que se o PMA o respondesse como esse valor resolveria a fome no mundo, ele venderia ações da Tesla no mesmo instante.

Após a polêmica, David Beasley, diretor do Programa Mundial de Alimentos, também usou as redes sociais para dizer que “jamais disse que 6 bilhões de dólares resolveriam a fome no mundo”.

Esse valor, na verdade, ajudaria 45 milhões de pessoas famintas em 43 países do mundo. O calculo foi feito pela agência e prevê que essa quantia irá prevenir, por um período de tempo específico, instabilidades políticas, migrações em massa e salvar esses civis à beira da fome.

É importante ressaltar também que o número de pessoas atingidas pela dificuldade em obter alimentação básica no mundo é muito maior do que 45 milhões.

Segundo o último relatório sobre Insegurança Alimentar divulgado pela ONU, em julho do ano passado, 811 milhões de pessoas no mundo foram afetadas pela fome no ano de 2020.

O número representa cerca de um décimo da população mundial, estimada em 7,94 bilhões de pessoas.

Para efeito de comparação, por meio do Bolsa Família, programa assistencialista do governo federal que existiu de 2003 até 2021, centenas de bilhões de reais foram distribuídos a milhões de famílias no país, e nem no Brasil a fome acabou.

Somente entre o período de 2016 e 2021 foram repassados R$ 219 milhões pelo Bolsa Família, valor próximo ao pago por Musk para adquirir a rede social.

Segundo dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, em 2020, 19,1 milhões de brasileiros viviam em um ambiente de insegurança alimentar grave: passavam fome, em outras palavras.

Portanto, pode se dizer que houve, no mínimo, um exagero na interpretação dos dados ao afirmar que 6 milhões de dólares resolveriam a questão da fome ao redor do globo.

A quantia, apesar de alta, ajudaria mais de 40 milhões de pessoas por apenas um período, mas nem de longe tornaria esse problema resolvido, mesmo nesse grupo beneficiado.  

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*Estagiário do R7, com edição de texto de Marcos Rogério Lopes.

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